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MUNDIAL

Solidariedade à luta do povo colombiano: basta de repressão e mortes!

Editorial de Esquerda Online
5 de maio de 2121

O governo de Ivan Duque (Partido Centro Democrático) está ordenando uma das maiores repressões ao ativismo social dos últimos anos na Colômbia. Duque é o mesmo que acusa o governo Maduro, da Venezuela, de “ditadura” e dá abrigo para Juan Guaidó e outros líderes golpistas. É afilhado político do ex-presidente e ex-senador, Álvaro Uribe, que renunciou ao Senado para fugir do foro da Corte Suprema, onde responde a 28 processos, entre os quais por relação com grupos paramilitares, a milícia colombiana que mata ativistas sociais.

Desde 28 de abril, está ocorrendo um “paro nacional”, uma greve geral unitária contra a Reforma Tributária e a Privatização da Saúde, além da defesa dos direitos trabalhistas e outros pontos. Foi organizada pela grande maioria das organizações sociais, centrais sindicais, organizações indígenas, comunitárias e movimentos feminista e de juventude. Foi apoiada por várias organizações políticas e parlamentares do campo democrático e da esquerda, a exemplo do partido Aliança Verde, da prefeita de Bogotá, Cláudia Lopez, do partido Colômbia Humana, do senador Gustavo Petro, do Partido Comum, UP, MAIS, DIGNIDAD, PDA e organizações sociais comunitárias, regionais e locais.

A Greve Geral, depois do 21 de novembro de 2019 e dos diversos protestos que ocorreram em 2020, foi um novo tsunami de manifestações, paralisações, bloqueios e protestos em mais de 500 cidades em todo o país, expressando o sentimento de que o governo tentou passar a “boiada” dos seus pacotes e medidas aproveitando o isolamento social e o avanço da pandemia, que já provocou 75 mil mortes em um país com cerca de 50 milhões de habitantes.

Mesmo diante da trágica situação sanitária, milhões de ativistas saíram a protestar, convocados por suas organizações populares e também de forma espontânea auto-organizada. Diante das consequências da reforma, avaliaram que valeria a pena correr o risco do contágio nas ruas, em atos convocados com protocolos de segurança sanitária.

O estopim foi o projeto de reforma tributária, enviado ao Congresso, que penalizaria ainda mais a classe trabalhadora e as classes médias. A greve já havia sido convocada algumas semanas antes para tentar impedir a votação da reforma do sistema de saúde (Projeto 010), além de mudanças na legislação trabalhista que abrem mais espaço para o contrato de trabalho por hora (parecido com o trabalho intermitente, criado pela reforma trabalhista no Brasil). O protesto também seria contra os assassinatos praticamente diários de lideranças de comunidades camponesas, indígenas e populares, que acontecem há anos, e de pelo menos 300 ex-combatentes desmobilizados das ex-FARC, que entregaram suas armas diante do acordo com o governo anterior.

A pauta das mobilizações, que continuaram após o dia 28, inclui acesso à vacinação e plenos direitos trabalhistas aos milhares de trabalhadores da saúde, que arriscaram as vidas na tentativa de salvar pacientes do vírus, em jornadas excessivas e sem equipamentos de proteção plena. No dia 28, estes trabalhadores participaram das sacadas dos hospitais, com lenços brancos.

SOS Colômbia: Basta de mortes e repressão!
Ante a força incontestável da greve, Duque é obrigado a anunciar a retirada do Projeto da Reforma Tributária, fato que foi um triunfo do movimento. Os protestos também levaram à queda do ministro da Fazenda. Em compensação, o governo ordenou uma brutal contra-ofensiva repressiva, através dos bandos da ESMAD (Esquadrão Móvel Antidistúrbios), ampliando a repressão que já ocorria desde o dia 28. Vídeos demonstram a brutalidade das forças de segurança, atirando com metralhadoras contra grupos de manifestantes.

Em 2 de maio, as centrais sindicais realizaram uma coletiva de imprensa e denunciaram o que a grande mídia não revelou: naquele momento, já haviam pelo menos 27 homicídios, 1.089 casos de agressões violentas, 124 feridos e feridas, mais de 726 detenções abusivas, pelo menos 6 violações sexuais perpetradas por policiais, 12 jovens que perderam seus olhos resultantes de tiros ou agressões, além de várias denúncias de interferência na atuação dos Defensores do Povos, organismo que fiscaliza os abusos contra os Direitos Humanos.

A repressão foi tão brutal que provocou declarações de órgãos de Direitos Humanos da ONU, que tradicionalmente não interfere em temas internos dos países, quando envolvem governos de direita, a exemplo de Marta Hurtado, porta voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que expressou “profunda comoção pelos fatos ocorridos, destacando a solidariedade com os que tinham perdido a vida e com os feridos e suas famílias. O Escritório da ONU na Colômbia para Direitos Humanos, através de sua representante, Juliette de Rivero, por meio do twitter, alertou que a situação dos direitos humanos em Cali foi “monitorada com preocupação” desde 28 de abril e também em Cauca, Medellín, Bello, Pasto, Neiva, Barranquilla, Villavicencio e Bogotá. “Estamos em contato com o Ministério Público. Ressaltamos que grande parte das manifestações foram pacíficas”, destacou.

Nova Greve Geral e atos nas embaixadas
Mesmo ante a selvagem repressão perpetrada pela ESMAD sob mando do governo da direita, as organizações nacionais e regionais convocaram uma nova Greve Geral para esta quarta-feira, dia 05, com o lema “Parar para avançar”. Além da denúncia da repressão e a luta por Justiça, a pauta ainda não foi vencida, diante da manutenção do projeto de privatização da saúde, dos ataques aos direitos trabalhistas e da possibilidade de reenvio do projeto da Reforma Tributária.

As organizações sindicais e populares da Colômbia convocam a continuação das mobilizações, mas é imprescindível a solidariedade democrática e de classe ao povo colombiano. Neste dia 7 de maio será um dia global de protestos nas embaixadas colombianas em vários países, em defesa dos Direitos Humanos e contra a repressão perpetrada pelo governo. No Brasil, já há um protesto marcado pelas centrais sindicais para o dia 06, às 10h, no Consulado da Colômbia, em São Paulo.

É preciso repetir o que ocorreu no dia 28, quando a greve contou com protestos de apoio em mais de 40 países, com bandeiras colombianas. É muito importante que todos os trabalhadores e trabalhadoras do continente acompanhem de perto a situação política na Colômbia e possam ser solidários de alguma maneira em seus países e nas redes sociais. A luta na Colômbia e na América Latina mostra as gigantescas forças das classes exploradas e dos setores oprimidos, indicando que é possível derrotar nas ruas, com unidade e democracia, os planos neoliberais que buscam rebaixar cada vez mais o nível de vida da maioria da população para salvar o capitalismo.

Todo apoio aos colombianos e colombianas! Que seu exemplo fortaleça as lutas do continente e a resistência ao governo Bolsonaro, pela vacina e contra a reforma administrativa, que o governo e o Congresso Nacional tentam impôr em meio a pandemia, como tentou o governo Duque, com seu pacotaço.