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MUNDIAL

Brasil: Café com certificado de qualidade “Starbucks” é produzido por escravos

Victor Mariutti*
Esquerda Diario
3 de Agosto de 2018

Na semana passada o Ministério do Trabalho resgatou dezessete trabalhadores rurais submetidos a situação análoga a escravidão na fazenda Córrego das Almas em Piumhi em Minas Gerais conhecida também como fazenda fartura. A fazenda ostenta diversos selos internacionais que dizem certificar as condições de trabalho, do meio ambiente, e a qualidade do café ali produzido.

Fabiana Soares Ferreira, administradora e arrendataria da fazenda, informou atraves de sua advogada que se espantou com a noticia e acrecentou que o escravagismo não é a “filosofia” da empresa. Sua declaração tambem frisou que ela sempre buscou atender às exigencias dos órgãos privados que emitem os tais certificados e premiações.

Entrevistado pela reportagem da UOL, Jorge Ferreira dos Santos, que acompanhou a fiscalização do Ministério do Trabalho, disse que os sistemas de certificações é pouco transparente e frágil por que atenda a interesses econômicos.

Ao serem confrontados com a notícia, a rede norte-americana Starbucks declarou que quando se realizou o processo de fiscalização e certificação das condições de trabalho na fazenda não havia indicios de trabalho escravo. A fazenda possuia tambem o selo UTZ, principal órgão privado de certificação, que fiscalizou o local em fevereiro deste ano e emitiu o certificado em abril.

Selos de certificação de qualidade, de responsabilidade ambiental, ou de condições dignas de trabalho concedidos por grupos privados invariavelmente cumprem um papel de marketing e não de garantir melhores condições de trabalho ou de combater a super exploração. Isso só pode se dar pela organização independente dos trabalhadores para confrontar os patrões e os monopólios multinacionais como a Starbucks que lucram com o trabalho escravo.

Victor Mariutti* estudante de Ciências Sociais USP, Brasil.