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MUNDIAL

Argentina: Macri e o Estado contra os mais fracos

Por Débora Mabaires
Desacato
12 de Janeiro de 2017

Faz um ano, o governo de Mauricio Macri começou a praticar a repressão de modo seletivo e seu alvo preferido são os mais fracos: crianças, idosos e mulheres.

Enquanto na Cidade Autônoma de Buenos Aires, nos bairros humildes crianças que dançavam na rua e treinavam para o Carnaval eram reprimidas. Os feridos tinham entre 8 e 12 anos.

Os grandes meios de comunicação silenciaram estes fatos de violência estatal e o Poder Judiciário, mais uma vez, olhou para outro lado.

A anuência destas corporações permitiu que Mauricio Macri descarregasse balas de borracha contra diferentes manifestações de protesto realizadas em Mar del Plata e Rosário, as duas cidades onde o desemprego aumentou desmedidamente pelas políticas econômicas que aplicou. A desculpa esgrimida nos jornais principais era que estava em risco a segurança do presidente; uma falácia grosseira, porque ele se encontrava a mais de 500 metros do local dos fatos.

Em agosto de 2016, um grupo de aposentados, muitos idosos, faziam uma manifestação numa das pontes de acesso à cidade de Buenos Aires, e foram agredidos a pauladas pelas forças de segurança.

Os meios mais importantes publicaram o fato com a manchete “Empurrões entre aposentados e policiais” e ocultaram de seus canais de televisão ou vídeo em que dá para ver como um policial levanta um idoso no ar e o joga com força sobre o asfalto a uns 3 metros distância.

Mais tarde, em outubro, uma multidão que tinha participado no XXXI Encontro Nacional de Mulheres foi reprimida ferozmente. Nesse encontro, umas 90.000 pessoas realizaram diversas atividades durante 3 dias sem que houvesse nenhum incidente. As imagens da polícia disparando à multidão comoveram a sociedade. Não conseguiram ocultar o fato, já que pelos menos dois repórteres gráficos foram feridos pelas forças repressivas e não tinham a desculpa da suposta segurança presidencial em risco.

Como a maré, a enxurrada repressiva de Mauricio Macri avança devagar. Isto tem uma justificativa social: se tivesse entrado a sangue e fogo, como fizeram os governos militares durante os anos da Ditadura, provavelmente, teriam se alçado as vozes com muita mais veemência e a verdadeira essência deste governo teria ficado exposta ante o mundo. Fazendo-isso de maneira gradativa, seletivamente, a sociedade vai aceitando a instalação da violência estatal como forma de governo.

Os sindicatos lhe deram um ano de vantagem e agora com um o novo ajuste e perda de poder aquisitivo e de emprego, os trabalhadores exigem que seus dirigentes os representem. Aqueles que ontem se beneficiaram acordando com Mauricio Macri vantagens econômicas para si próprios, em troca de não mobilizar os trabalhadores, hoje se encontram pressionados por eles; e como o governo já aumentou a sua capacidade repressiva com novas técnicas e armamento, estão em una situação complicada. Ficaram presos entre dois fogos que, sem dúvida, os consumirá.

Agora, aproveitando as férias que o Poder Judiciário pega todo ano no mês de janeiro, Mauricio Macri avançou sobre as terras de povos indígenas.

No norte do país, na província de Salta nega atenção médica, acesso à água e aos alimentos a populações que tinham sido deslocadas de suas terras pelos latifundiários que, com violência, os expulsaram delas.

A situação é urgente e embora o advogado que preside o Conselho Nacional de Políticas Indígenas, o Dr. Daniel Segovia, realiza todas as apresentações para evitar este genocídio, não está sendo ouvido.

Durante o mês de dezembro, cinco crianças menores de cinco anos faleceram vítimas da desnutrição e doenças que se podem prevenir e curar com um simples antibiótico.

Outra criança se encontra internada em estado gravíssimo. Nessa pequena comunidade tem mais 67 crianças desnutridas. Literalmente, as estão matando de fome.

No sul do país, na província de Chubut, o governo de Mauricio Macri avançou esta semana sobre a população mapuche de Cushamen. A Gendarmeria Nacional atirou contra a população e feriu homens, mulheres e crianças.

Os homens feridos foram presos e não receberam assistência médica. As mulheres resistiram no local com seus filhos, ameaçando com pegar fogo.

24 horas mais tarde, um novo ataque das forças policiais, desta vez, noturno, feriu gravemente um jovem que está internado lutando por sua vida com um disparo de chumbo no pescoço.

As mulheres feridas se recusam a serem transladadas a um hospital. Sabem que se saírem da terra, não conseguirão voltar e seu extermínio estaria garantido.

As mulheres de Cushamen, como a Argentina, feridas pelas balas de Mauricio Macri, se aferrando à terra, resistem.