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NACIONAL

Três bilionários são mais ricos do que metade da população dos EUA

Eric London
19 de dezembro de 2017
WSWS

De acordo com um relatório publicado na última quarta-feira pelo Institute for Policy Studies, os três norte-americanos mais ricos – Jeff Bezos, Bill Gates e Warren Buffet – possuem agora mais riqueza do que a metade mais pobre da população norte-americana, cerca de 160 milhões de pessoas.

As “60 famílias” da América, cuja fortuna massiva foi exposta com documentos comprobatórios pelo jornalista Ferdinand Lundberg em 1937, foram substituídas por apenas três bilionários cuja riqueza combinada ultrapassa os 264 bilhões de dólares.

O relatório “Billionaire Bonanza: The Forbes’ 400 and the rest of us” (“A Bonança dos Bilionários: os 400 da Forbes e nós como resto”), revela que os 25 norte-americanos mais ricos possuem mais do que os 56% da população na parte de baixo da escala. O valor líquido dos 400 mais ricos é mais ou menos o mesmo representado pelos dois terços mais pobres da população, em um total de 200 milhões de pessoas. De acordo com os autores do relatório, os EUA se tornaram “uma aristocracia hereditária de riqueza e poder”.

A concentração sem precedentes de riqueza é um fenômeno internacional. A Oxfam afirmou em janeiro de 2017 que as oito pessoas mais ricas do mundo possuem tanto quanto a metade mais pobre da população mundial - oitenta pessoas a menos do que em 2015. Hoje em dia, cada um dos 5 bilionários mais ricos possui tanto quanto 750 milhões de pessoas, mais do que a população total da América Latina e o dobro da população dos EUA.

O relatório do IPS explica que os dados norte-americanos “subestimam os níveis atuais de concentração de renda” porque “o crescente uso de paraísos fiscais offshore e trusts legais torna a ocultação de bens mais difundida do que nunca”. Um relatório de 2017 publicado por Alstadsaeter, Johanesen e Zucman, intitulado “Quem possui a riqueza dos paraísos fiscais?”, estima que os super-ricos do mundo tenham entre 5.7 e 32 trilhões de dólares escondidos da taxação e/ou das análises estatísticas.

Enquanto os super-ricos dominam e comandam das alturas, os 90% de baixo encaram agruras e crises que variam apenas em termos de maior ou menor proximidade. O relatório do IPS mede o valor líquido das famílias da classe trabalhadora descontando o valor de bens duráveis como automóveis, aparelhos eletrodomésticos e mobília. De acordo com esta estimativa, cerca de dezenove por cento das famílias – cerca de 60 milhões de pessoas – tem um valor de “zero” ou mesmo negativo quando o valor dos seus bens duráveis é deduzido.

Abaixo dos 20% mais pobres, segundo o relatório, “mesmo aquelas famílias de baixa e média renda que têm alguma riqueza geralmente não possui nenhum tipo de bem ou ativo líquido – dinheiro vivo ou poupança – à sua disposição. Mais de 60% dos norte-americanos relata não ter poupança suficiente para cobrir uma emergência no valor de 500 dólares.

Mesmo acima das quase 200 milhões de pessoas com nenhuma poupança, as condições para os percentuais entre o 60º e o 90º são igualmente ruins. O grosso desta seção do valor líquido da classe trabalhadora deriva do mercado imobiliário e, quando este valor é subtraído, muitos não têm o suficiente para sobreviver aposentado por mais do que alguns anos. De acordo com um estudo recente sobre os dados do censo, feito pelo Economic Policy Institute, o nível das contas de poupança e de aposentadoria despencou nos últimos anos em todas as faixas etárias.

O relatório do IPS se baseia em dados do US Federal Reserve’s Survey of Consumer Finances (Monitoramento das Finanças do Consumidor do “Banco Central” dos EUA) que o WSWS analisou em detalhe no mês passado. Enquanto os extremamente ricos acumularam vastas quantidades de riqueza, uma camada mais ampla - que compreende os 10% no topo da pirâmide - também se enriqueceu muito, em anos mais recentes, às custas da massa de trabalhadores. Os 10% mais ricos dos EUA – a base social das políticas identitárias e de gênero – possui 77.1% da riqueza total, enquanto os três quartos mais pobres possuem apenas 10%.

A explosão de desigualdade social não é um processo acidental. É o resultado de décadas de campanha para transferir trilhões de dólares da classe trabalhadora para os bolsos dos ricos, algo patrocinado tanto pelos republicanos como pelos democratas. As “realizações” destes dois partidos nos últimos quarenta anos são uma litania à renúncia fiscal para os ricos, cortes em programas sociais, desindustrialização de vastas faixas do meio-oeste, regulação corporativa leniente e gasto de trilhões com a guerra imperialista, além de vigilância estatal, deportação e encarceramento em massa.

O governo Obama é um marco nesta contra-revolução social diferida, marco este definido pelo resgate de Wall Street em 2008-2009, pela reestruturação da indústria automobilística em 2009 e pela falência de Detroit em 2013-14. Com a ajuda da administração democrata, a elite dominante embolsou muito dinheiro com a crise financeira.

Em conseqüência, os EUA são agora uma oligarquia. Através de sua imensa riqueza e controle das grandes corporações capitalistas, os super-ricos estabeleceram um domínio total sobre todas as instituições do poder político, cultural e intelectual.

A justiça, o Congresso, e a presidência dos EUA não se limitam a operar em nome de interesses divergentes dentro da aristocracia, já que são cada vez mais ocupados diretamente por milionários e bilionários – como expressa muito claramente a figura de Donald Trump. Os militares fazem a guerra permanente ao mundo para proteger os lucros das grandes corporações. A grande mídia é apenas o veículo da propaganda oficial da oligarquia norte-americana. Os sindicatos, em sua maneira tipicamente corrupta e brutal, são pagos pelas corporações para policiar os trabalhadores e suprimir a oposição.

As obsessões e manias desta camada privilegiada da população são inteiramente alheias às preocupações dos 90% mais pobres. O custo de um plano de saúde está subindo estratosfericamente, milhares de famílias de imigrantes são desfeitas toda a semana devido às deportações e quase 100 pessoas morrem todos os dias por abuso de opiáceos; a dívida estudantil esmaga uma geração inteira, milhares de pessoas ainda estão desabrigadas devido a enchentes, incêndios e furacões; estados inteiros foram desprovidos de clínicas de atendimento às mulheres, um veterano comete suicídio a cada 80 minutos, e assim por diante.

O Congresso não mantém audiências sobre estes assuntos. Seu calendário está completamente agendado com audiências sobre a suposta interferência russa na política dos EUA e sobre a necessidade de submeter as redes sociais e as companhias de informática e tecnologia à censura de qualquer conteúdo que possa ser considerado como anti-establishment. Democratas e republicanos trabalham sem parar para entrar em acordo quanto a uma reforma tributária que entregará trilhões aos ricos e às corporações, com senadores republicanos anunciando sua versão do texto ontem mesmo.

O crescimento astronômico da desigualdade e a ausência de qualquer mecanismo institucional através do qual a população possa manifestar sua insatisfação social pressagia uma explosão histórica da luta de classes. Greves e protestos envolvendo dezenas de milhões de trabalhadores e jovens são inevitáveis, mas devem ser orientadas por um programa socialista.

A riqueza dos bilionários deve ser expropriada e redistribuída a todos aqueles que passam por necessidades. As corporações através das quais eles extraem suas riquezas devem ser tomadas, postas sob controle democrático e reorganizadas pelos próprios trabalhadores para servir à necessidade pública e não ao lucro privado.

Companhias como a Amazon, de Bezos, podem ser usadas para entregar remédios, comida, água, e equipamento de construção a áreas em desastre ou empobrecidas. O desenvolvimento de programas e softwares da Microsoft, de Gates, pode ser adaptado à introdução de um nível jamais atingido de planificação social da economia mundial, permitindo um controle da produção que elimine a escassez de recursos básicos e reverta a degradação ambiental. Todas as indústrias podem estar a serviço dos interesses da espécie humana.

Sob o socialismo, em todas as indústrias e países, os trabalhadores se reunirão em suas oficinas, fábricas e escritórios, para traçar um curso que aplique as forças produtivas do mundo à obtenção da igualdade e do progresso. Mas a classe dominante não abrirá mão desta riqueza voluntariamente. Para se juntar à luta pelo socialismo, contate-nos hoje mesmo.